terça-feira, 29 de novembro de 2016

Você está realmente pensando ou apenas gastando energia? / Are you really thinking or just wasting energy?

Aí vai um desenho que ainda não tinha publicado aqui.



Cai a chuva na janela, escorrem gotas agonizantes para dentro do fim e existe música neste instante. As gotas caem, o vento pesa ao passar por entre as árvores, quase que as leva embora para longe.

A cidade canta e o infinito vibra nas paredes, os muros cheios de lágrimas percorrem tudo que não entrou em nós. Lamentam a ausência daquilo que não pôde ser e que agora é em gota a ressoar na eternidade o que jamais fora. O tempo do pranto em desatino, o profundo da loucura de amar cada pedacinho indecifrável da imensa poesia a nos brotar continuamente nos olhos, da música infinita da chuva, uma tempestade de ternura incerta. Incerta, pois as dúvidas sempre são maiores que as respostas e um dia a gente aprende a rir das dúvidas, não dar tanta importância ao que não tem explicação. Jogue ao tempo, sorria, faça revoadas de pássaros com os pensamentos. O tempo gargalha de nós e precisamos aprender a gargalhar do tempo para viver nesse mundo louco de charadas e piadas que as vezes não tem tanta graça assim.

 Pouco importa o que antes era importante, dê importância ao que te fará sentir o infinito, a poesia, a música, a arte, o amor e todos os conflitos, nós, labirintos serão tão minúsculos que não te atrapalharão a vida ou serão tão imensos que a poesia cederá lugar quase que automaticamente como forma de sobrevivência. Pois no final quem cria o caos e o alimenta é somente uma pessoa – aquela quem pensa.

E se por um momento todo o nosso passado viesse à tona e pudéssemos sentir tudo isso ao mesmo tempo? Todos os olhares que nos deram, todos os sorrisos ou lágrimas que vimos, todas a esperanças, anseios, desesperos, tristezas e alegrias que já sentimos. Tudo ao mesmo tempo agora em nós ressoa como uma avalanche para despertar. Todas as músicas que nós já escutamos, todos os livros que já lemos, todas as mensagens que recebemos através da vida, dos sonhos, de um olhar, de tudo. Todos os amores que já nos avassalaram o coração, todos os encontros que já tivemos, todos que já somaram e todos que vez por outra já diminuíram. Se pudéssemos reunir nosso passado inteiro neste exato instante, como seria nosso futuro?

Veja bem, pensar tem a sua importância, mas será que nós pensamos  realmente ou apenas gastamos nossa energia? O verdadeiro pensamento transcende sempre, abre portas ao infinito, é poesia, arte, quase uma loucura para quem não sintoniza. Ocupemos-nos do que vale a pena. Não gastemos o tempo com críticas ou lixos de pensamentos vazios ditados por uma massa que ainda nada sabe sobre como pensar. Crie a própria porta e abra-a para contemplar os infinitos do mundo. Eu sei que podemos abrir as portas que nos farão sentir e abrir cada vez mais portas para o nosso pensamento nos libertar das amarras que nos acostumamos a ficar. Esse lugar acomodado não é nosso por isso às vezes nos inquietamos, libertemos, inquietemos, revoemos!

Um dia quem sabe chegará o dia que a poesia nos inundará como Drummond já disse Mas a poesia deste momento inunda minha vida inteira, assim deverá o infinito nos regar na constância com que reguemos do foco em nos nutrir daquilo que realmente merece a nossa atenção. E não me leve a mal ao dizer que tudo merece atenção, no entanto é preciso escolher merecer este momento e deixar a poesia nos tocar até os poros para nos libertar daquilo tudo que não faz sentido algum, mas que não deixa de ser poesia e se depois de muito tentarmos não encontrarmos uma explicação plausível joguemos ao tempo para que não interrompa nosso caminho de seguir o fluxo da vida e seus constantes despertares.

Despertemos!


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